O que é geografia física crítica?
A geografia física crítica combina uma atenção crítica às relações de poder social com conhecimento aprofundado de um campo específico das ciências biofísicas, a serviço da transformação ecossocial. A afirmação central da CPG é que nossos ambientes são tanto produto de relações desiguais de poder, histórias de colonialismo e desigualdades raciais e de gênero quanto de processos hidrológicos, ecológicos e das mudanças climáticas. Compreender nossos locais de pesquisa, portanto, exige um trabalho integrativo cuidadoso, capaz de tornar legíveis essas profundas interconexões entre sistemas biofísicos e sociais.
A CPG se apoia em três princípios centrais:
- Paisagens e hidroterritórios são profundamente moldados por relações estruturais de poder que, por sua vez, se articulam a características e processos biofísicos, coproduzindo sistemas ecossociais inseparáveis.
- Essas mesmas relações estruturais de poder também moldam a forma como estudamos os sistemas ecossociais, influenciando as perguntas que fazemos, ou deixamos de fazer, aquilo que consideramos evidência convincente, quem é reconhecido como pesquisador legítimo e até mesmo os resultados de nossas pesquisas.
- Nosso processo de pesquisa e o conhecimento que produzimos têm impactos profundos sobre as pessoas e as paisagens que estudamos. Assim, nossa escolha não é entre sermos políticos ou apolíticos, mas entre diferentes compromissos políticos possíveis.
Este não é um projeto novo: há uma longa história de pesquisas que buscam realizar esse tipo de trabalho integrativo em campos como biogeografia, climatologia, geografia econômica, geomorfologia e ciência do solo, entre outros (por exemplo, Thornes 1981, Vale 1982, Denevan 1992, Zimmerer 1994, Massey 1999, Rhoads et al. 1999, Turner 1999, Lane 2001, Clark e Richards 2002, Urban e Rhoads 2003, Engel-Di Mauro 2006, etc.). Um dos objetivos iniciais da CPG foi construir visibilidade e uma comunidade intelectual ao reunir esses trabalhos sob um mesmo guarda-chuva. Um objetivo igualmente importante foi oferecer respaldo institucional a pessoas interessadas em realizar pesquisas críticas e integradas, especialmente estudantes e pesquisadoras/es em início de carreira.